FALTA DE ACESSIBILIDADE É UM PROBLEMA SOCIAL

FALTA DE ACESSIBILIDADE É UM PROBLEMA SOCIAL

Vivemos hoje num mundo dominado pela imagem e pela cor. O sentido da visão determina a forma como vemos e encaramos o mundo.

As dificuldades das pessoas com deficiência visual são facilmente entendidas, basta refletir um pouco para perceber que todos os serviços básicos não se encontram otimizados para minimizar as suas dificuldades.

Consultar rótulos, recibos, faturas, etiquetas, documentos legais, percursos públicos, saber a cor da camisola que tem nas mãos, são exemplos de dificuldades que um deficiente visual tem todos os dias, acabando por depender de terceiros, expondo assim a sua privacidade.

Uma vida independente é um desafio muito mais exigente para um deficiente visual!

Em Portugal, contam-se pelos dedos duma mão as instituições que fazem reabilitação social a pessoas com deficiência visual. Uma resposta assegurada, sobretudo, por instituições particulares de solidariedade social, todas com o mesmo tipo de valências e com um fluxo de entrada e saída de pessoas com deficiência visual permanente.

As causas deste problema são, nomeadamente:

– Dependência das pessoas com deficiência visual (têm muitas barreiras ao acesso à informação e comunicação, o que limita as suas tarefas quotidianas);

– Dificuldades económicas (pensões baixas, muitas vezes relativas a percursos profissionais muito curtos ou mesmo inexistentes);

– Pouco acesso a informação sobre serviços de apoio disponíveis;

– Ausência de suporte familiar; dificuldades das famílias em lidar com as especificidades da deficiência visual;

 – Dificuldade de integração em serviços da comunidade;

– Baixa capacidade de resposta de várias entidades às necessidades específicas das pessoas com deficiência visual.

As consequências deste problema social não resolvido são, nomeadamente:

 – Comorbilidade – agravamento do estado de saúde físico, mental, emocional das pessoas isoladas e inativas;

  – Dependência crescente de terceiros;

 – Perda acentuada de qualidade de vida;

 – Impacto negativo na estrutura familiar que, devido aos maiores níveis de dependência, se vê confrontada com maiores exigências de apoio;

   – Privação social/ocupacional.

Agradeço ao Pedro Mendes (SKILLENT), pela consultoria.

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